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domingo, 1 de junho de 2014

UTSM - ULTRA TRAIL SÃO MAMEDE – 100 KM - 2014

UTSM - ULTRA TRAIL SÃO MAMEDE – 100 KM - A primeira três dígitos…
O trail levou-nos a Portalegre, ao Ultra Trail de São Mamede, para mais uma das etapas do circuito nacional de trail organizado pela ATRP (Associação de Trail Running de Portugal), durante o fim de semana 1300 atletas participaram em três provas:
- 100 kms (D+3500M) – UTSM - partida às 0h00 de Sábado de Portalegre
· Prova a contar para o Circuito Nacional de Ultra Trail;
· Prova de apuramento do Campeão de Portugal de Ultra Trail;
· Prova qualificativa para o Ultra Trail du Mont-Blanc;
- 42 kms – TLSM - partida às 09h00 de Sábado da vila de Marvão;
- 25 kms – TCSM - partida às 10h00 de Sábado da vila de Castelo de Vide;
O Clube Millenniumbcp esteve presente com 10 atletas, todos na prova de 100 kms. Vou tentar relatar o que foi para mim essa prova, tentar porque tudo o que diga ou escreva nunca vai conseguir transmitir a totalidade do que senti durante o UTSM…
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Na partida estiveram cerca de 700 “trailers” (de várias nacionalidades) para fazer 100 kms numa das regiões mais bonitas do país, o Parque Natural da Serra de São Mamede. A organização decidiu (e muito bem!) criar um espaço de convívio na zona da partida, um estádio de futebol com pista de tartan: muito bom ambiente! A ideia de fazerem um concerto até perto da hora da partida foi excelente!


Foi a primeira vez que fiz uma prova de 100 kms (na realidade 102,5 kms)…portanto, para mim, tudo era novidade…e acreditem, o primeiro km de uma prova desta distância é completamente diferente do km inicial de uma de 25…
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Só a partida à meia-noite muda logo tudo: vermos cerca de 700 almas de frontal na cabeça a evoluir pelos montes alentejanos é de uma beleza fantástica…quase que nos esquecemos que vamos lá no meio, mas vamos, e é para isso que aqui estamos e treinámos.
Esta era uma prova que eu queria muito fazer pela aventura em si, por ser natural de Portalegre e pelo prazer de testar limites; mas que quase acabava nas subidas ao Parque Eólico por um erro de “menino”. Eu que sempre aconselho toda a gente a alimentar-se e a hidratar-se bem, cometi a proeza de não me “reforçar” antes das subiditas - cerca de 14kms a subir dos 400m até à altitude de 1025m, com percentagens de inclinação bastante elevadas! Lá consegui colar-me ao Veloso que passou por mim e rebocou até às Antenas, no alto de São Mamede.
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No PAC (zona de assistência) das Antenas acabei por alimentar-me bem e voltar novamente à minha estratégia alimentar (estamos com 30kms) - ficou o aviso para o futuro - aí encontrámos mais alguns elementos da equipa e fomos em ”formação cerrada” o que me ajudou bastante, pois foi uma excelente forma de avançar e recuperar o ritmo. Fomos assim até São Julião (40kms), com um excelente andamento, acreditem que naquelas encostas deixámos marca!
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Nas subidas após São Julião, senti-me extremamente bem (a alimentação em mim faz toda a diferença!) - subo sempre a um bom ritmo e a puxar. Temos uma visão fantástica de Marvão e de Espanha. Alguns de nós vêm com um ritmo mais forte e até ao Porto de Espada acabamos por nos dispersar, reencontramo-nos no PAC do Porto da Espada já com as bifanas à frente. Estamos com 50 kms.
Do Porto de Espada até Marvão temos algumas descidas e depois atacamos a subida até à vila. Sinto-me muito bem a subir e vou passando outros concorrentes! Subimos pela calçada medieval da Abegoa, que nos leva até perto da muralha, mas depois descemos e subimos e descemos e subimos e descemos e subimos…e lá acabamos por entrar no castelo pela Porta de Ródão. Km 60. Marvão é a zona de assistência onde se encontram os nossos sacos para as mudas de roupa e afins, sacos que previamente tínhamos entregue na zona de partida e que a organização transportou. Reponho a comida, aligeiro o equipamento porque íamos ter tempo quente pela frente, retiro da mochila de prova coisas que não vou necessitar, ponho protetor e estou pronto para partir sem perder muito tempo. Não me preocupo minimamente com os pés – tenho outro par de sapatos no saco e vários pares de meias, mas não achei necessário fazer a mudança pois sentia-me bem, sem qualquer dor ou desconforto, mais tarde irei pagar caro esse erro, foi uma lição dura! Como uma sopa, umas frutas frescas e uns frutos secos. Estou bem fisicamente e não me sinto cansado, arranco.
Descemos pela calçada medieval que vai ter à Portagem e seguimos para as Carreiras, pelo meio molhamos o pé no Sever e atravessamos um campo de golfe que se encontra ao abandono (uma pena…). Fazemos uma boa parte da subida para as Carreiras no alcatrão, aqui começo a ter os primeiros sinais que algo não está bem com os pés…continuo e acabo por colar a dois atletas. Eu e outro dos atletas acabamos por ir juntos até às Carreiras. Quando cheguei à aldeia levava um desconforto muito grande, mas tolerável. 70 kms.
A partir daqui mudou tudo! As dores foram aumentando e o desconforto era cada vez maior, e tornou-se quase impossível correr (eu com o problemas nos pés e o outro atleta com um problema no joelho). Mesmo a “andar” conseguimos imprimir um ritmo sempre forte e começámos a gerir os esforços como uma equipa para chegar ao fim. O calor foi aumentado gradualmente.
Em Castelo de Vide descansámos um pouco mais. Mais uma vez chegámos lá através de uma calçada medieval, andámos por rochas de granito, descemos por cordas…com o calor e com os pés “cozidos”, podem imaginar! No PAC nem quis tirar os sapatos com receio de já não os conseguir calçar. Cerca de 80kms.
Vamos na direção do Convento da Provença, nesta altura eu mal consigo apoiar os pés no chão, acabo por ter de parar e tirar os sapatos; os pés estão uma lástima…mudo para umas meias curtas e secas que trazia na mochila e continuamos. Não melhorou quase nada. A cerca de 2 kms do PAC peço ao outro atleta para seguir sozinho, eu só ia a atrasá-lo – quase tive de lhe atirar pedras para ele se ir embora…obrigado! – e prometi-lhe que não desistia. No meio disto tudo mudo o chip, esqueço os tempos de prova e oriento-me pelo Sol, só queria chegar antes do pôr-do –Sol! A energia que a Lua cheia me deu à noite teria que durar para chegar antes do Sol se pôr. Acabei por me arrastar até ao Convento da Provença onde estava o penúltimo PAC…90kms. Recebo tratamento médico – os massagistas/enfermeiros de uma das equipas da frente estavam lá para acompanhar os últimos atletas deles…ajudam-me. Limpam o melhor que podem a planta dos pés e enfaixam-nas de forma a tornar o mais confortável possível os kms que me faltam até à meta. Demoro tempo. Como pizza. Aqui acabo por encontrar uma atleta que conheço e que também vinha com problemas nos pés desde Marvão, pelo menos…
Eu e essa atleta partimos juntos em direção à Serra da Penha…ela é um poço de energia condensado em meio palmo de mulher! Sigo com ela até perto das rochas que suportam a cruz, depois peço-lhe para seguir sozinha para eu não a atrasar. Lá chego ao PAC da Penha. Mais uma vez demoro na assistência. Desço as escadas, 270, uma a uma, muito lentamente, cada vez que pouso o pé parece que a sola entra pela carne adentro. Acabo por me arrastar durante 5kms até ao estádio onde consigo cortar a meta ainda com o Sol no céu, tinha conseguido o único objetivo a que podia almejar depois do que me aconteceu…para além de terminar a prova!!! – todos os que passaram por mim nesta parte final do trajeto tentaram rebocar-me no bom espírito do trail…
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Em jeito de conclusão, esta foi uma prova bastante difícil! Muito dura! Pela distância, pelas subidas, pelo calor, foi uma prova de superação! Dos 702 concorrentes que iniciaram a prova apenas 430 terminaram, entre eles estavam todos os “Millennium” - como várias vezes ouvi às pessoas que nos apoiaram e aplaudiram por onde passámos, sempre com um “força” ou “vai” antes do nome.
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Como prémio “finisher” recebemos uma medalha de cortiça (uma matéria prima muito comum e importante na região) alusiva ao feito…100 km!! A minha primeira três dígitos!
Aos meus companheiros de jornada, iria já amanhã fazer outra prova com vocês!
Os meus parabéns, juntos fomos fortes!
Um abraço a todos!
Pedro Cordas
Altimetria da prova:
As classificações foram as seguintes:
189 Miguel Cruz 17:39:27
234 Fernando Rodrigues 18:42:39
276 Pedro Cordas 19:40:44
302 Eduardo Rodrigues 19:59:18
303 Pedro Neves 19:59:25
304 Helder Baptista 20:00:06
339 José Farinha 20:40:42
340 António Veloso 20:40:48
341 Rui Ramalho 20:40:49
384 Sandro Jordão 22:03:35

Fotos e vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=8SOtLS5PvxU
https://picasaweb.google.com/112783433689578180526/TrailDeSaoMamede118DeMaioDe2014?authuser=0&authkey=Gv1sRgCLXJ2szlu--wiAE&feat=directlink
https://picasaweb.google.com/112783433689578180526/TrailDePortalegre218DeMaioDe2014?authuser=0&authkey=Gv1sRgCImL-rPnneG9vAE&feat=directlink
https://plus.google.com/photos/109215449995288364783/albums/6014691346297986113#photos/109215449995288364783/albums/6014691346297986113


Relato Sandro Jordão

Portalegre, 17 de Maio de 2014, 00:00. Lua cheia. 570 corajosos na linha de partida. Entre eles muitos amigos. Das Caldas e arredores vieram os primos Paulo e Rui Santos, o Ricardo Diez, o Zé Duarte, os manos Serrazina, o Luís Nunes, o Marcus, o Telmo, o Cadima, o Carlos Alegre e o Hugo Barqueiro. Do Clube Millennium BCP uma equipa de luxo composta pelo Pedro Cordas, o Alcides, o Miguel, o Veloso, o Hélder, o Rui Ramalho, o Eduardo Rodrigues, o Pedro Neves e o Farinha, a que se juntaram o João Figueiredo. Escusado será dizer que TODOS terminaram a prova, o que representa mais um grande resultado para o Clube Millennium BCP.
A adrenalina de ir correr cento e picos quilómetros por caminhos, trilhos e estradas do Parque Natural da Serra de São Mamede, com passagem por Marvão e Castelo de Vide, impede que o sono se manifeste em mais do que 2 ou 3 bocejos passageiros, pese embora não ter dormido nada durante a tarde/noite. O concerto que está a decorrer (uma competente banda de covers de Pink Floyd) também ajuda. Por esta altura nem nas minhas piores previsões poderia supor que só passadas 22 horas é que voltaria a pisar o tartan da pista do Estádio dos Assentos mas… vamos por partes.
Começo lento até ao Reguengo no meio de um pelotão compacto que avança aos soluços por entre passagens estreitas e cursos de água. Está muita poeira no ar e uma temperatura elevada para a hora, cerca de 16 graus. No primeiro abastecimento bebo um café, como uma boleima e sigo com o Paulo Santos rumo ao Alegrete. Começo a sentir azia mas uma pastilha resolve o problema de imediato. É agora possível rolar um pouco mais e acelero encontrando pela 1.ª vez o pessoal do Clube Millennium que se vinha agrupando sob a liderança do Rui Ramalho. Vem aí a subida até ao alto de São Mamede cujo topo (1.015 metros de altitude) atingimos um pouco antes das 05:00. 30K já estavam e sentia-me bem tendo seguido com o Miguel e o Hélder até São Julião. Avistámos um atleta no chão enrolado na manta térmica (um item indispensável pois nunca sabemos quando é que nos pode calhar um azar semelhante) e certificámos-nos que ficava bem antes de continuar. Foi apenas um entre 157 participantes que acabaram por ter desistir o que atesta bem a dureza do percurso. Entretanto esfriara um pouco (finalmente!) mas seria sol de pouca dura até porque o astro em causa nasceu precisamente na chegada ao abastecimento, eram 06:15. Pela primeira vez senti necessidade de me sentar (a partir daqui aconteceria em todos os abastecimentos) e ao invés de seguir com o Miguel (que nunca mais veria) e o Hélder (que viríamos a incorporar no pelotão passado um pouco pois abrandara devido ao sono) optei por descansar e aguardar pela chegada do resto da equipa. Fomos em bom ritmo até ao Porto da Espada onde nos mimaram com bifanas. Foi uma etapa desportiva mas também cultural pois o Pedro Cordas, natural da zona, foi-nos contando tudo sobre as paisagens que nos rodeavam, obrigado. 50K já estavam mas o próximo objetivo era ambicioso: chegar a Marvão numa altura em que o calor começava a apertar. É por esta altura que encontramos a Mafalda Faria, ainda com muita energia e boa disposição. Não sei se foi da bifana mas voltei a acelerar nesta fase. A fuga ainda durou meia dúzia de quilómetros mas aos poucos fui baixando o ritmo. O Pedro foi o primeiro a passar-me e foi a custo que consegui acompanhar o Eduardo e o Alcides na interminável subida ao castelo. Foram muitas as vezes em que estando a centímetros da muralha voltávamos a descer para depois realizar nova subida mas lá entramos finalmente no castelo pela Porta de Rodão.
61K em pouco mais de 10 horas era um feito mas o cansaço acumulado já era mais do que o desejado pelo que o pior estava mesmo para vir. Em Marvão tivemos a possibilidade de trocar de roupa e foi o que fiz (chapéu, t-shirt, meias e sapatilhas). Descansei. Coloquei protetor solar e vaselina. Descansei. Comi uma sopa e batatas fritas. Descansei. E com isto foram mais de 40 minutos parado! Os 10km seguintes trouxeram uma descida em calçada romana até Portagem que deu cabo do que restava dos meus pés e começaram a formar-se bolhas em catadupa. O calor intenso (32 graus) propiciou o surgimento das primeiras assaduras. Não valeu de nada a troca de sapatilhas e se pudesse voltar atrás não trocava.
Se até ao abastecimento em Carreiras já caminhava muito mais do que corria a partir daí não mais voltei a correr. Foram 9 longas horas para fazer pouco mais de 30K em que fui ultrapassado por dezenas de atletas, nomeadamente o Telmo (que ia muito bem) isto já depois de termos passado perto de Castelo de Vide (a chegada ao abastecimento entre rochas e com recurso a cordas foi penoso). Aos 83K, quando já estava a desidratar num abastecimento intermédio, fui “rebocado” pelo Paulo Santos que solidariamente caminhou comigo quase até aos 90K, obrigado. Tive de lhe prometer que não desistia e lá foi ele, tendo chegado à meta à hora de jantar. Entretanto acabou a bateria do relógio GPS. Também já tinha perdido a cábula com a distância e altimetria do percurso. Paciência, para a frente é que era caminho, mesmo que fosse a 3 quilómetros por hora. No abastecimento do Convento da Provença, onde comi pizza, fui apanhado pelo último grupo do Clube Millennium composto pelo Rui Ramalho, o Farinha e o Veloso e ainda tentei seguir com eles mas mesmo estando eles também a caminhar como eu a diferença na passada era brutal e rapidamente os perdi de vista. Algum alcatrão depois e após muitas deambulações pela Serra da Penha chego ainda de dia ao último abastecimento (Ermida da Penha). Está lá alguém deitado no chão e enroscado numa manta naquilo que parecia ser uma bela soneca. Aproximei-me e era o Telmo mas não estava a dormir, estava era a ver se conseguia recuperar de uma indisposição que trazia à vários quilómetros atrás. Não aguentava nada no estomago. Queria vir comigo mas não conseguia, só vomitava. Eu só por ver comecei também a ficar mal disposto e quase tive uma quebra de tensão. Benditos pacotes de açúcar que trago sempre comigo. Desistir é dificílimo (eu nunca consegui tomar essa decisão e já tive ocasiões em seria sem dúvida o mais acertado a fazer) ainda mais quando já se percorreram quase 100K pelo que compreendi perfeitamente a relutância do Telmo mas no fim lá o convencemos, eu e o pessoal da organização, a tomar a penosa mas sem dúvida acertada decisão. Passam 2 minutos das 20:00 e continuo. Seguiram-se 270 degraus de escadas e um interminável percurso de alcatrão. Recebo várias chamadas de amigos que estranharam ainda não ter chegado mas descansei-os. Ei-de cortar a meta nem que seja às 23:59. Cai a noite e recoloco o frontal. No chão leio indicações de que faltam 4K. Depois 3K, 2K e finalmente 1K. Não sei se foi imaginação minha mas sou capaz de jurar que vi escrita mais de uma vez a indicação do último quilómetro. Cada vez que passava por alguém da organização perguntava quanto faltava. Eles apoiavam (e muito) mas a resposta nunca me agradava, a última falava em 400 metros e eu sempre a sentir que estava a fazer muito mais. Estar supostamente tão perto e não ver o estádio ainda me impacientava mais. Não consigo descrever em palavras o quão exausto estava naqueles metros finais mas eis que finalmente vejo o estádio e a Celina, à entrada, à minha espera. Estou radiante. Faço um esforço final para dar a volta de honra ao estádio e, pasme-se, ainda corro nos últimos 20 metros antes de cortar a meta onde me esperavam a Ana, o Paulo, o Rui, o Diez, o Cadima e o Stefan.
Terminei a prova por pura teimosia. Sou resiliente e nunca duvidei que seria finisher independentemente estar completamente “feito num oito” desde os 70K. Faltou-me arte e engenho para gerir 100K mas retirei daqui bastantes ilações para o futuro. O UTSM, cuja organização foi irrepreensível, foi mais uma etapa rumo ao objetivo das 100 milhas. Haja pernas que a vontade é inquebrantável!





ULTRA TRAIL DE S. MAMEDE  2014  - 100 km  by António Veloso

Realizou-se no passado Fim de Semana de 17 de Maio,  o Ultra-Trail da Serra de São Mamede ( UTSM ), prova organizada pelo  Atletismo Clube de Portalegre e com a colaboração dos municípios de Portalegre, Castelo de Vide e Marvão e de diversas entidades e associações.

Prova com interesse relevante dado que se tratava de uma PROVA QUALIFICATIVA PARA O THE NORTH FACE® ULTRA-TRAIL DU MONT-BLANC® 

Todos os atletas que se classificassem no Ultra-Trail da Serra de São Mamede recebiam 3 pontos para o registo na edição de 2015 do UTMB.
Esta prova contava ainda para  O CIRCUITO NACIONAL DE ULTRA TRAIL DA ASSOCIAÇÃO DE TRAIL RUNNING DE PORTUGAL

A edição de 2014 do UTSM será uma das sete provas pontuáveis para o Circuito Nacional de Ultra Trail e recebeu a classificação UT/D (Ultra Trail Difícil).
Estiveram à partida  702 atletas, a maior parte nacionais, evidentemente, mas também um bom numero de espanhóis.

Quando me propuseram escrever algumas linhas sobre esta prova fiquei na dúvida de como abordaria o tema.

Podia escrevê-la passo a passo, do Km 0 ao Km 100 ( Na verdade foram 102,5 ) ; aquilo que aconteceu nos 10 PAC’s ( Posto de Abastecimento e Controlo ) ;  que tinha começado às 00:00 do dia 17/05 – um sábado ; que foi muito difícil ; que tinha um grau de exigência muito grande ; que eram mais de 7 ou 8 “empenos” de não sei quantas centenas de metros de altura ; que estava imenso calor  –  cerca   de 30º C … … … enfim, tudo aquilo que parece muito difícil.
Mas não, não irei por aqui.
Vou  sintetizar o que foi a minha primeira prova de 3 dígitos – 100 Km.
Nunca tinha feito uma distância em Trail superior a 55 Km !!! Bom, pensei eu meses antes da prova, quem faz 55 Km  facilmente consegue correr 100 Km.
Pois é  !!! Ideia absolutamente naïf e certamente utópica .
Um prova com três dígitos é uma verdadeira prova de superação física e mental. É  atingir os limites , a luta constante para resistir, o vencer sucessivas barreiras, as metas que se conquistam Km a Km. Resumindo :  é usar a mente para gerir corretamente o corpo …   
Primeira enorme dificuldade : São Mamede inicia-se às 24H  algo que é contranatura.
Quando o corpo começa a pedir descanso, eis-nos à partida dispostos a correr uma distância que nos parece impensável ao comum dos mortais.
Os primeiros kms parecem fáceis, está ainda tudo muito fresco, com forças quanto baste para vencer as primeiras dificuldades. E elas apareceram quando começámos a subir para o Parque Eólico e depois um pouco mais à frente até às famosas Antenas. E já estávamos a uma altitude de 1.050 m,  já com 30 Kms  percorridos e por volta das 5 horas da manhã.
A noite passou finalmente sem qualquer percalço de maior. Tudo correu como previsto, com muito cuidado não fosse uma queda deitar tudo a perder.
Não poderei descrever por palavras o amanhecer em prova. Absolutamente fantástico e indiscritível . O ar fresco, o perfume tão característico do campo, a luz, sim finalmente a luz natural. Maravilhoso !  Mas …  mal me lembrava do calor que aí vinha !
Agora é que a prova iria começar a sério. Por volta do final da manhã avistamos Marvão ao longe, ainda de uma encosta sobranceira. Não, pensei eu,  não vai ser possível subir àquela bonita vila amuralhada. Estávamos com aproximadamente  60 Km. Para mim foi o maior desafio da prova - a subida até Marvão. Trepámos inicialmente por estradão, passando a trilho muito técnico, depois pedra, pedra e mais pedra e por fim mato.
Foi uma subida tão dura que me levou a pensar em desistir. Sim . Sem vergonhas. Porquê ? Não se pode enunciar esta palavra ? Eu sei que para os “puristas” do desporto esta é uma palavra que não se encontra no seu léxico.  Mas esta ideia passou-me pela mente.  A meio da subida decidi “estacionar” na encosta para descansar e recuperar as forças . Só queria atingir a vila, neste caso o PAC 6  para solicitar a minha desistência e a consequente “boleia” de carro da Organização para Portalegre. Valeu-me o “Mister” ( Rui Ramalho) que a mais de 50 m me dizia “ … olha eu fico aqui à espera o tempo que for preciso … mas despacha-te lá …  !“ .
Para esta decisão ( a da desistência ) muito influenciaram questões de cadência inicial elevada e alimentação muito deficitária entre os abastecimentos e nos abastecimentos. Mas a prova inicial serve mesmo para isto – fazer o balanço do que correu menos bem e corrigir futuramente.   
Com muito pouca vontade , mas muita insistência do Rui Ramalho , juntando-se depois o José Farinha que me pediu para não me precipitar na decisão da desistência, lá continuei …  agora com uma temperatura algo elevada, principalmente em zonas de descampado.
Atingiu-se, então,  o PAC 7 com cerca de 70 Kms . A partir daqui parou a corrida. Do PAC 7 até ao final fomos a passo rápido. Já não me era possível correr. Ou melhor, ainda seria possível , mas sentia que a qualquer momento caía exausto.  Era um cansaço físico, aeróbico, mental. Eram as bolhas nos pés, muito por culpa das sucessivas passagens por cursos de água, ribeiros e pequenos riachos, onde inevitavelmente tínhamos que molhar os pés.
Entre os 10 e os 5 Km finais começa a nascer uma nova alma, um ânimo extra que nos traz as forças necessárias para atingirmos o Estádio. Avistamos ao longe Portalegre e pensei : … está feita !!! Finalmente vou acabar os 100 Km . Os últimos Kms são tão penosos que parecem uma eternidade. Na verdade fomos brindados com 102.5 Km e lá entrávamos no Estádio Eduardo de Sousa Lima em Assentos para a volta de consagração antes do insuflável da meta .   
Foi uma jornada épica dado que todos os atletas do Millenniumbcp – 10 ao todo e mais dois Amigos, o João Figueiredo e o José Mascarenhas – chegaram ao final.

PARABÉNS a todos pela sua grande prestação na referida prova de Trail.

Os agradecimentos muito especiais ao Milllenniumbcp e ao responsável pela modalidade de Trail  – Eduardo Ferreira – que nos disponibilizou o transporte  para Portalegre além de outras despesas inerentes a esta deslocação. Muito obrigado.

Por fim a classificação e os tempos efetuados :

Partiram 702 atletas tendo chegado 430 ao seu final.

Class. Geral       Nome                     Tempo de Chip

189
Miguel Cruz
17:39:27
234
Fernando Rodrigues
18:42:39
276
Pedro Cordas
19:40:44
302
Eduardo Rodrigues
19:59:18
303
Pedro Neves
19:59:25
304
Hélder Baptista
20:00:06
339
José Farinha
20:40:42
340
António Veloso
20:40:48
341
Rui Ramalho
20:40:49
384
Sandro Jordão
22:03:35

 
     


Antonio Rui Veloso


TRANSGRANCANARIA - 2014

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TRANSGRANCANARIA: Distancia: 125KM. Desnivel: + 8.500 M. 30 horas
TRANSGRANCANARIA - É uma Ultramaratona de montanha que se realiza na Ilha de Gran Canária desde de Outubro de 2003. É já uma referência no panorama mundial e coloca-se como prova rainha do inverno europeu!
Esta prova faz parte do circuito Mundial de Ultras maratonas.
The North Face é o actual patrocinador oficial. Esta prestigiosa empresa internacional, é um garante de um serviço de qualidade para os atletas.
127Km foi a distância cumprida! Com um forte acumulado de subidas e descidas (8500 m), por pisos irregulares e rochosos e, ainda com carácter non stop – 30 horas ininterruptas!
É uma competição muito exigente do ponto vista físico e mental e, para tal os atletas deverão ter uma boa preparação.
Pelas 00h do dia 1 Março, partimos: Eduardo, Vitor, Gaby e Manel Pereira, do norte da Ilha – em Agaete, rumo à meta que se situava no sudoeste em Maspalomas.
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Com uma estrutura circular pelo norte da ilha, a competição toma a partir do Km 82 uma direcção rectilínea até à meta.
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0-10 Km – Ao chegar a esta ilha pensei: onde poderiam estar os cerca de 8500m de declive? Após o tiro de partida e ao longo da prova esta dúvida dissipou-se por completo!
E desta forma começamos com a subida mais longa desta competição- 10 km, mas que não considerei ser a mais difícil. Foram 10 km que se iniciam ao nível do mar e atingem uma altitude de cerca de 1300m. Magnifico o espectáculo de luzes nestas competições nocturnas!
10-19 Km - Ao finalizar esta subida, entramos numa área enlameada que rapidamente dá inicio a uma descida técnica e agressiva pela sua inclinação. Implica uma maior atenção dos atletas dado que contamos apenas com os nossos frontais e, por vezes as “ fitas” indicadoras do percurso falhavam.
19-57 Km – este percurso caracterizou-se por uma zona bastante acidentada, e de constantes e fortes inclinações até Teror – 6º abastecimento.
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Durante este período, o sol começa a nascer um pouco tímido e com ele uma manha nevoeiro e uma chuva muito miudinha, mas agradável.
57-68 Km - Nesta altura já o sol está alto e o calor a apertar, fatores estes que foram suavizados pelas encostas voltadas a norte.
No entanto, foi nesta parte do percurso que se encontrava a subida mais difícil: escadas, escadas e mais escadas: íngremes e intermináveis. No topo das escadas em Talayón, como se ainda não bastasse a inclinação já feita, continuamos a subir num autêntico “uphill” até ao Km 68.
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68-82 Km - É óbvio que o que nos destinava a seguir seria: uma descida até Cruz de Tejeda num verdadeiro “downhill” até ao Km 71 -local do 8º abastecimento.
Inicia-se, então um caminho longo até Garañón. Mas até lá tínhamos um grande desafio pela frente: atingir o pico de Roque Nublo! Valeu a subida: à medida que subíamos as vistas tornavam-se fantásticas sobre o vale e sobre o mar: fiquei com duvidas se ao longe não se avistava Tenerife. Bela vista!!
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Garañón Km82 seria então o “grande” abastecimento: sopas e massas e o local onde a organização disponibilizava os “sacos” que os atletas tinham preparado e entregue. Estes sacos permitem-nos substituir roupa/calçado ou reabastecer de barras, geles etc. Neste abastecimento perde-se sempre mais algum tempo.
82-95 Km – Partimos de Garañón em direcção ao pico mais alto 1998m o Pico da Neve. Nesta fase já a temperatura descia a pique! A subida até ao pico não era técnica e temos pena de não a ter realizado de dia. Teríamos com certeza outra paisagem deslumbrante! De seguida uma descida simples com cerca de 8 Km até Tunte.
95-109 Km – Alcançado Tunte é-nos apresentada uma grande pista, onde se consegue correr a um bom ritmo. Conquistamos muito lugares!! Como “não há bela sem senão” e, para terminarmos este segmento somos brindados com uma descida “from-hell”!! Foram 2 Km de “Pedreira”, muito técnica e com uma inclinação negativa muito acentuada.
109-127 Km – Ultimo segmento…uffa! Inicia com uma pequena subida de 2 km e após nova pista onde poderíamos, se conseguíssemos, correr até ao Canal que nos faz desaguar em Maspalomas. É canal de 5 Km construído em pedra e que se destina a drenagem das águas pluviais. Este canal pareceu infindável!
Ultimo Km… J! Na Praia so bum passadiço de madeira até ao Farol e…CONSEGUIMOS!
Mais uma aventura conquistada! E muitas histórias para contar!
E um dia depois??? Foi doloroso, estávamos muito cansados, mas também orgulhosos de nós mesmos!

UTAX 2013

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Partimos de noite, chegámos de noite, 13h53m45s depois (no meu caso) regressámos todos (Miguel Cruz, José Farinha, Fernando Alcides e eu) a Castanheira de Pera com os 3 pontos do UTMB no bolso e a sensação de dever cumprido.
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Esta longa jornada começou na véspera com a recolha do dorsal, controlo do material e dormida em solo duro (se é que se pode chamar dormida a 1 ou 2 horas em que de forma intermitente consegui passar pelas brasas) tudo efectuado debaixo de um temporal danado que felizmente se dissipou pela madrugada e que obrigou ao corte de cerca de 12 km ao percurso que acabou por ser de 76 km ao invés dos 88 km que estavam programados.
O tempo no sábado esteve excelente (apenas alguns aguaceiros da parte da tarde) e o tempo, aliado à beleza incontornável da Serra da Lousã e das Aldeias do Xisto foram mesmo os aspectos mais positivos desta prova cuja organização na minha opinião deixou bastante a desejar (marcações deficientes dos trilhos, abastecimentos fraquinhos com excepção do último, ausência de prémio de finisher e duches de água fria no final...) e que compara muito mal com o Grande Trail da Serra de Arga, por exemplo.
A marcação desordenada e insuficiente dos trilhos, ainda que efectuada com fitas das mais bonitas que já vi, da Salomon, originou um engano brutal que logo no 1.º km deixou a maioria dos atletas aos papéis à procura de rumo durante 10 minutos. Este tipo de situações repetiu-se ao longo da prova, sobretudo na parte inicial, onde me enganei várias vezes e que fez com que fizesse ao todo mais 3 km do que os 73 que tinha o percurso. É verdade que alguns desses enganos se deveram somente a mim próprio mas existem falhas de marcação impensáveis como alterar abruptamente e em cruzamentos o lado em que se colocam as fitas ou o facto das fitas vermelhas e brancas às vezes significarem um corte (como habitualmente) e noutras uma indicação para seguir por aí, o que é impensável!
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Comecei bastante lento, na companhia dos 3 colegas e amigos do Clube até à primeira escalada às eólicas, onde aproveitei alguns kms de estradão para aumentar o ritmo até entramos no trilho que nos levaria às aldeias de Catarredor e Vaqueirinho. Ainda era de noite e estava muito nevoeiro pelo que segui com alguma cautela. À medida que o dia começou a nascer e a confiança a aumentar corri em bom ritmo até ao Talasnal, local do 1.º abastecimento.
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As pernas estavam soltas, afinal de contas ainda estávamos no inicio da prova, e foi com alguma facilidade que fui percorrendo o trilho, que passou pelos locais de Casal Novo, Chiqueiro e pelo Terreiro das Bruxas, até voltar a subir às eólicas, desta feita as de Vila Nova. Seguiu-se a aldeia de Gondramaz, local do 2.º abastecimento.
Nesta altura já estava bastante calor e havia muita humidade, foi necessário hidratar bastante mas continuava a sentir-me muito bem e a subir na classificação. Passando pelas aldeias de Espinho e Vale Nogueira em breve chegaria à Lousã onde tivemos o 3.º abastecimento, no Hotel Melia. Cheguei eram 13h05 e serviram-me uma canja de galinha quentinha, não podia ser mais apropriado! Aqui tínhamos a possibilidade de trocar de roupa (preparámos sacos para o efeito cujo local de recolha era aqui) mas como não tinha chovido optei por seguir viagem tal qual estava. Foi a ultima vez que estive com o João Figueiredo que a partir daqui foi sempre em bom ritmo até à meta.
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Regressado ao trilho foi sempre a subir com passagem pela Senhora da Piedade, bonita localidade com um castelo escondido por entre a serra, até ao Candal e, depois de uma subida contínua de 1,7 Km, à Cerdeira, local do 4.º abastecimento, onde cheguei completamente roto! Aos 51 Km (que na verdade eram mais por causa dos enganos) e já com 9h30 nas pernas tinha estourado e a partir daqui fui obrigado a reduzir bastante o ritmo e a intensidade.
Subi mais um pouco até novas eólicas, no Vilarinho, onde começou a chover e estava mais frio pois era ponto mais alto da prova. Também havia novamente nevoeiro, adversidades que só desapareceram quando finalmente começámos a descer a serra, pelas levadas, num trilho estreito, com alguma água e cheio de pedras daquelas que os nossos pés massacrados não querem mesmo percorrer. Foi já em algum sofrimento que cheguei ao Coentral onde me esperava café quente e uma sandes de presunto naquele que foi o melhor dos 5 abastecimentos da prova.
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Nesta altura já só faltavam cerca de 10 km para a meta e como ainda tinha 5 horas a menos face ao tempo limite para terminar (18 horas) senti que já tinha a prova feita e fui sempre a caminhar até ao fim. 2 horas depois, com passagem por Poço de Corga, estava de volta a Castanheira de Pera, onde cruzei a meta quase 14 horas depois de ter partido.
Sandro Jordão
Resultados:
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Altimetria:
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Percurso:
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Fotos em :
https://picasaweb.google.com/112783433689578180526/UltraTrailDaUTAX20DeOutubroDe2013?authuser=0&authkey=Gv1sRgCKH7rNmQh9PqxgE&feat=directlink
Vídeo em :
http://www.youtube.com/watch?v=Wow1biHeGzQ
clip_image032 19/10/2013

Ultra Trail Lavaredo - 2013

O LUT, Lavaredo Ultra Trail, é uma prova organizada pela North Face e realiza-se na Cordilheira das Dolomitas, Alpes orientais no norte de Itália e Património da Humanidade.
Prova com 118k e 6000 mts de acumulado positivo, este ano e devido às condições climatéricas a prova acabou por ser alterada. A organização entendeu que a neve e o frio  comprometiam a segurança de todos os que iam participar e a 5 horas da partida no briefing, informam os participantes que a prova iria ter início no dia seguinte e o percurso alterado para 86k, quase 4.000m positivos e 22h de tempo máximo para realizar a prova.
Paisagens deslumbrantes, e uma organização exemplar tornam este evento único.  Eram muitas as nacionalidades dos atletas inscritos.
A prova teve início em Cortina d’Ampezzo, sede de uma das edições dos jogos Olímpicos de Inverno.
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Às 8 horas de Sábado deu-se a partida da 4ª edição do LUT, os primeiros 3kms são feitos em alcatrão até à saída de Cortina, a partir daqui a primeira subida, chegamos aos 1800m com vistas deslumbrantes sobre o vale e com as montanhas cheias de neve à nossa volta. Descida técnica para o abastecimento do Refugio de Ospitale km18.
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Nova grande subida até ao ponto mais alto da prova a 2200m, a parte final da subida foi feita em trilhos cobertos de neve. Segue--se descida com muito declive e muita lama até ao abastecimento do Hotel Cristallo km33.

Km 43, estamos no lago Misurina, cenário de filme, a partir daqui a primeira alteração ao percurso.
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Em vez de subirmos aos cumes de Lavaredo, cobertos de neve, contornamo-los por um desfiladeiro muito técnico ao longo de um curso de água, onde o menor deslize podia custar uma queda com consequências.

Km55, voltamos ao percurso original, esta parte da prova é feita em estradões e por isso bastante rápida e monótona. Abastecimento de Cimambanche km65, a partir daqui iniciamos uma nova subida onde o frio e o vento se começam a sentir.
Km 75 novo ponto de abastecimento, vale muito bonito. Aqui nova alteração ao percurso. Já não se sobe aos 2500m mas temos uma subida com partes bastantes técnicas até aos 1800m, esta subida torna-se complicada devido ao cansaço acumulado.
Os últimos kms são feitos pelo percurso inicial agora em sentido descendente até Cortina.
Chegamos a Cortina ao anoitecer, com 88 kms de prova e 4000 mts de acumulado positivo, que demoramos 12:43h (Eduardo Ferreira) e 14:51h (Vitor Gomes) a percorrer.
Tivemos nesta aventura uma “nova” parceira, a Raquel Afonso, excelente companhia e grande atleta.
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Classificação Atletas do MillenniumBCP

288º Eduardo Ferreira Tempo 12:43:28
522º Vitor Gomes Tempo 14:51:42


http://www.ultratrail.it/files/2013/classifiche/LUT_2013.pdf


The North Face® Lavaredo Ultra Trail 2013
M F TOTAL ITALIANS STRANGERS
ENTRIES 760 (89%) 96 (11%) 856 573 (67%) 283 (33%)
LEFT 662 (88.8%) 83 (11.2%) 745 507 (68%) 238 (32%)
FINISHER 619 (88.9%) 77 (11.1%) 696 473 (68%) 223 (32%)

domingo, 2 de junho de 2013

Ultra-Maratona de Trail 101 Peregrinos – Ponferrada (Espanha) - 2013

Como o nome do título indica, realizou-se no fim de semana de 4 de Maio de 2013, a 4.ª edição do Ultra-Maratona de Trail na distância de 101km (na verdade foram 105km) em Ponferrada (Espanha).
Esta prova tem 3 modalidades distintas. BTT, Duatlo e Marcha. Todas com a mesma distância.
Como nota prévia e antes de começar a efetuar o relato da prova, uma refeência aos vencedores da prova na categoria de Ultra-Maratona de Trail que, quer em femininos, quer em masculinos, foram portugueses. A atleta que ganhou a prova feminina de seu nome, Natércia Martins Silvestre, gastou 12h34m29s. O atleta masculino, Albino Daniel Almeida Magalhães, gastou 9h38m40s. Parabéns a estes 2 fantásticos atletas !!
Agora vamos ao relato dos atletas do Clube Millenniumbcp.
A saída de Lisboa estava marcada para as 10h do dia 3 de Maio e não se atrasaram. A esta hora lá estavam, o Hélder Baptista, Pedro Neves, Rui Ramalho, Eduardo Rodrigues, Miguel Cruz, José Farinha, Paulo Rato e o Manuel Pereira, prontos para me apanharem (Jorge Lanzinha). Era o último a ser recolhido, mas também era o 1.º a ser deixado, depois, na volta.
clip_image002Tínhamos 600km de viagem pela frente até ao destino, Ponferrada. Almoço efetuado pelo caminho em Viseu. Restaurante aconselhado e bem aconselhado. Toda a rapaziada bem disposta como se quer numa “aventura” destas.Depois de efetuado a troca de condutores lá seguimos em direção a Ponferrada. Chegámos por volta das 16h (17h espanholas). A primeira coisa a fazer era tratar da dormida no pavilhão bem como reservar colchões onde nos vamos instalar com o saco cama. De seguida tratar da recolha dos dorsais e em boa hora o fizemos, passado 1h a fila era tal que para levantar os dorsais se demorava quase 1h.
Já instalados, verificação do material e roupa para a prova, bem como ver qual a roupa e comida, que iria ficar nos 2 possíveis postos onde se podia deixar saco. A maioria dos atletas do clube Millenniumbcp, optou por deixar um só saco no abastecimento dos 76km. Havia também um abastecimento aos 37km, como disse, onde se podia deixar saco.
Após as verificações havia que comprar o pequeno-almoço do dia seguinte e mais uma ou outra coisa que faltava. Perto do pavilhão onde estávamos instalados há um Centro Comercial com supermercado. Efetuadas as compras, regressamos ao pavilhão para dar um último olhar ao material e comida para ver se está tudo em ordem.
Houve logo quem optasse por entregar o saco para o abastecimento dos 76kms e quem o fizesse só no dia seguinte. Eu fui um dos que optou pela entrega de manhã, mas não sei o que se passou provavelmente mau entendimento com um “nuestro hermano” e o meu saco foi parar aos 37kms, quando queria que ele fosse para os 76kms…
De seguida a fome aperta e lá regressámos ao Centro Comercial para jantar. Uns nas pizzas, outros nas massas, foi assim que decorreu o jantar.
De regresso ao pavilhão, as filas para recolha dos dorsais já levava, à vontade, mais de 1h de espera…
Chegados ao local de dormida, começamos a tratar do resto da roupa e eis que surge um “hermano nuestro” e apaga a luz. Ficámos todos a olhar uns para os outros e o “rapaz” a apontar para o pulso dizendo que já era hora. Vêm para “faturar” como tal têm que descansar. O Miguel Cruz, e bem, foi ligar a luz e olhou o “rapaz” nos olhos e disse-lhe 5 min!!. Quase que tínhamos um incidente diplomático e lá tínhamos que voltar a Aljubarrota J.
Como é hábito nestes “ajuntamentos” há sempre alguém que ressona e este não é exceção. Não sei quem era, mas acho que ainda levou com alguma coisa para deixar dormir o resto dos atletas. Mas estava imparável e passado um bocado lá voltava à mesma música…
Também, nestes “ajuntamentos”, há sempre os “falta de ar”, são aqueles que a 3 ou mais horas antes de começar a prova já estão a preparar a comida a roupa a ida à casa de banho, enfim um sem número de coisas que se fazem em ½ hora mas que devido à tal “falta de ar” leva-os a levantarem-se mais cedo e a incomodar quem ainda quer descansar mais um pouco. Nada de novo e nada a que já não estejamos habituados.
Tomado o pequeno almoço em “família” a azáfama já era muita e os Tugas lá estavam com a “descontra” que nos é tão peculiar a tomar o pequeno almoço sem stress. Preparar umas sandes com presunto para levarmos, o que se veio a tornar crucial a determinada altura do percurso, e tomar o banhito.
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Saída do pavilhão para a rua já todos equipados a rigor e já não voltamos ao pavilhão. Bebemos um café, Delta, pelo caminho e lá vamos em direção ao estádio para a saída.
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Mais uma fotografia, já no estádio e esperando que seja dada a partida para a rapaziada das bicicletas. Ainda tivemos oportunidade de fazer o “aquecimento” dado pelo camarada Hélder J.
A saída das bicicletas, supostamente, deveria acontecer com 15 min. de antecedência em relação à marcha. Tal não se veio a verificar. Achamos mesmo que foi tudo à molhada. Quando demos conta estávamos todos na conversa e alguém disse, “malta é para começarmos a correr, já há atletas fora do estádio a correr”. E, pronto foi dada a partida!!, faltam 13minutos para as 10h (hora espanhola). Saída em pelotão pelas ruas de Ponferrada. O entusiasmo desta nação por estas coisas das corridas, não sei se é assim com as outras modalidades, penso que sim, é extraordinário. Incentivam, batem palmas, chama-nos de “Campeones”!!, uma alegria para quem está a iniciar a tal “aventura” de 101kms!!
clip_image012A saída de Ponferrada é feita com passagem pelo Castelo e por uma ponte antiga e depressa entramos em estradão. Os atletas ainda vão muito juntos. Ora passamos uns, ora somos passados por outros. Ao fim de 38m, estão percorridos cerca de 6kms e estamos no 1.º abastecimento no povoado de Toral del Merayo. Até agora não houve grandes subidas ou descidas e o grupo Millenniumbcp vai compacto. A progressão é feita praticamente em estradão pelos Caminhos de Santiago. Estão assinalados com um marco onde está a concha característica destes caminhos (Caminho de Inverno). Já percebemos que vai estar calor. A temperatura está a aumentar e não se vislumbram nuvens. Chegamos ao povo de Sartalla del Bierzo com 1h.35m e 13,5kms. Encontramos o 2.º abastecimento e à saída do povo fizemos o controlo. Aqui começamos a perceber que os abastecimentos não vão ser iguais aos que estamos habituados em Portugal. Estes consistem em água, aquarius, alguns com bananas, muito poucos com laranjas, coca-cola só houve num, para desespero de alguns atletas do clube J.
clip_image002[4]Já com umas subidas e umas descidas feitas, mas nada de assinalável e quase sempre em estradão, vamo-nos cruzando com alguns atletas de bicicleta que numa das subidas carregam literalmente com a bicicleta às costas. O caminho é indescritível!!, lama, água e muita pedra. Tenho dúvidas que alguém tenha conseguido fazer o caminho montado na bicicleta. Se ir a pé foi uma aventura para não cairmos com tanta escorregadela de bicicleta não há qualquer tipo de tração.
Depois desta subida, efetuamos uma descida em alcatrão, até entrarmos numa povoação onde existe o 3º abastecimento. Mas tal como os outros, bastante fraco. Iniciamos uma subida, depois de percorridos 20km, num misto de estradão e alcatrão. À nossa esquerda “Las Medulas”. Mais à frente falarei deste sítio. Depois de uma subida, vem a consequente descida. Aqui toda ela feita em estradão. Somos passados por atletas de bicicleta e alguns atletas da marcha. Está calor, o sol não dá tréguas. O Grupo Millenniumbcp já não vai todo junto. O Miguel Cruz, José Farinha e o Eduardo Rodrigues, estão com um andamento mais rápido e resolveram “arrancar”. Mesmo assim o grupo fica com 6 elementos. Chegamos a um abastecimento no meio de umas casas, no início de uma subida. Depois de vencida a subida começamos a descer em direcção a “Puente Domingo Floréz”. Ao entrarmos neste povo e mal avistámos um café, entramos e pedimos a bendita da coca-cola. Servida fresca e com rodela de limão e ainda com a sandes de presunto à mistura, caiu, como se costuma dizer, “que nem ginjas” J.
clip_image004[4]clip_image006[4]Logo a seguir e ainda dentro deste povoado, estava o abastecimento dos 37 kms, ao qual chegamos com 4h40m. Aqui o Hélder Baptista, que tinha saco neste abastecimento, demorou-se um bocado e a grupo foi andando, sempre na expectativa, como se veio a verificar, que o Hélder se chegasse a nós.
clip_image008[4]Subida forte e debaixo de calor, sem sombra. Esta subida tem a distância de quase 5km e 500m de altimetria. É dura, vai-se fazendo com calma.



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A paisagem na subida é verdadeiramente espetacular!!
Iniciamos a descida passando por aquilo que parece ser uma pedreira e chegamos ao povoado de San Pedro de Trones, mais um abastecimento. Como todos os outros nada de jeito. Vamos bebendo água e aquarius e comendo praticamente aquilo que trazemos connosco.

clip_image012[4]Vamos a descer e fazemos um “single-track”, penso que é o único digno deste registo em toda a prova, a rapaziada da bicicleta, nalguns pontos tem dificuldade em ir montado, tal a inclinação e a rudeza do piso. Estamos quase e novamente na povoação “Puente Domingo Floréz”. Aqui o Hélder, o Rui Ramalho, Pedro Neves e Paulo Rato, separam-se de nós. Vão mais ligeiros, pelo que eu e o Manuel Pereira ficamos um pouco para trás. Chegados ao povo, novo abastecimento e estamos com 46,5 km e 6h20m de corrida. Saímos do povo pelas “calles” deste, e eis se não quando estamos a passar junto a umas casas e lá de dentro, ouço alguém do grupo que ia à frente a chamar por nós os dois. Nem queria a creditar, tinham sido convidados pelo Alcaide de “Puente Domingo Floréz” para beber qualquer coisa (cerveja, coca-cola, água) e comer um “bocadillo”.
A vontade de sair daqui já é nenhuma, não só pela hospitalidade e a maneira simpática com que o Alcaide nos recebeu, mas também porque sabemos que ainda faltam mais de 60 km para fazer e o calor ainda não abrandou, para além de uma ou outra dor. Enfim, um sem número de razões que que nos leva a pensar se não seria melhor ficar com o Alcaide a beber umas cervejas geladas e comer “bocadillos”. Depressa alguém se lembrou de que já estamos parados algum tempo e que é necessário retomar a marcha.
Iniciamos aqui aquela que foi a mais longa distância entre 2 abastecimentos. Avisados pelo Alcaide já sabíamos que íamos fazer uma subida grande, mas sem grande altimetria ou tecnicidade, aliás, como até aqui, foi feita em estradão. O problema mantinha-se, o calor o que torna a subida ainda mais dura. Como sempre depois da subida vem a descida e vamos em direção ao próximo abastecimento. Este é feito na localidade de Yeres. O Hélder Baptista nesta altura está com bom ritmo e adianta-se ao resto do grupo. Chegamos ao abastecimento já está ele sentado a nossa espera. Entretanto e para nossa surpresa, aparecem atrás de nós o Eduardo Rodrigues e o José Farinha. Tinham estado num café a refrescar-se. O Miguel Cruz tinha seguido sozinho. Estamos com cerca de 55 km e 7h52m de prova. Abastecimento efetuado, há que começar retomar o caminho. Saímos todos juntos. Já sabíamos que agora ainda tínhamos pela frente uma subida digna desse nome. E que subida. O sol já começa a dar tréguas. À rapaziada no grupo que já está a acusar o cansaço, mas o objetivo está traçado. É ir até ao fim. O Hélder nesta altura e porque estava bem fisicamente começa a fazer a subida a bom ritmo e a incentivar o resto do grupo que vem mais atrás. Deixamos de o ver. O resto do Grupo vai um bocado partido mas sempre com alcance de vista. O Manuel Pereira, José Farinha e Eduardo Rodrigues, formam um grupo mais avançado nesta altura, eu e o Pedro Neves a seguir o Rui Ramalho e o Paulo Rato logo atrás. Pelo caminho clip_image014clip_image016
vamos passando alguns atletas de bicicleta. A coisa para esta gente não está fácil.
Chegamos ao abastecimento que fica no miradouro que dá para “Las Médulas”. Só um apontamento “Las Médulas”, são umas formações geológicas formadas pela mão do homem, se bem entendi a explicação. Tratava-se de umas minas de ouro do tempo dos romanos e estes, para efetuarem a extração do ouro, inundavam as galerias com o que acabou por formar as tais formações geológicas e que são património mundial.
A este abastecimento o Eduardo Rodrigues chega mal disposto e com umas sensações esquisitas no coração, o que deixa o grupo muito preocupado. Já não consegue comer, o que é grave. É aconselhado a desistir pois ainda faltam quase 40 km para o términos da prova. Mas o rapaz não quer desistir quer seguir. Eu e o Manuel Pereira lá vamos perguntando como é que ele se sente, ao que ele responde que a “coisa” vai indo. Ficamos os três. O Hélder entretanto ia no encalço do Miguel Cruz. O Rui Ramalho, Pedro Neves e o José Farinha, arrancam e vão mais à frente. Lá vamos gerindo a situação com o Eduardo, mas ele sempre com determinação, pese embora não estar a comer, o que neste tipo de provas não é nada abonatório. O caminho agora é a descer, menos mal. Passamos por umas casas, onde estão 2 miúdas a oferecer água e amendoins salgados (extra organização). Bebemos um copo de água, comemos uns amendoins e agradecemos a amabilidade. Continuamos a descer em direção a “Lá Chana” onde está o próximo abastecimento. Quando chegamos a “quadro” não era o melhor. O Paulo Rato tinha ficado neste abastecimento por se encontrar mal disposto. Queria desistir. Lá o convencemos a vir connosco. O grupo passou a 4. Dois deles não estavam nas melhores condições. Estamos no quilómetro 69 e com 10h de prova.
Saída de “La Chana” pelas ruas do povoado e rapidamente entramos num estradão, que passado pouco tempo se torna num lamaçal, onde andamos durante cerca de 1 km. O estradão nestas condições não ajuda em nada, antes pelo contrário. Vamos progredindo com atenção redobrada aos 2 atletas que não vêm nas melhores condições. Há que incentivá-los a seguir, gerindo a situação. Chegamos a um abastecimento, não cheguei a perceber se era oficial, se era de alguém que tinha montado ali uma banca. Pois quando estamos a chegar já estão eles a levantar a banca. De qualquer das maneiras foram simpáticos e forneceram umas coca-colas e uma bebida que por acaso até caiu bem, estava fresca, que era gasosa com folhas de hortelã.
clip_image018Aqui a rapaziada que vem mal disposta e depois de beber a coca-cola, animou e arribou, mas ainda há muita prova pela frente. Passamos por um Castelo (não sei qual o nome) e vamos tornear o Castelo durante algum tempo.
Chegamos ao abastecimento de Villavieja com quase 75 kms e 11h24m de prova. Aqui e mais uma vez havia um abastecimento extra organização e um abastecimento da organização, mais uma vez fraquito. Estava um senhor com uma panela ao lume com uma sopa que segundo ele dizia tinha carne de javali. Se tinha ou não, não sei, o que é facto e verdade é que caiu muito bem. Este abastecimento tinha controlo. Como já era noite resolvemos e bem colocar o frontal. O Paulo Rato chega aqui ainda um bocado mal disposto. Avalia a situação e começa a pensar em desistir. Esperamos um pouco questionando o Paulo sobre as condições dele. Resolve vestir uma camisola de 1.ª camada para se proteger do frio que já vai caindo. Eu e o Manuel Pereira, resolvemos ir andando. Fica o Eduardo Rodrigues com o Paulo Rato. O nosso andamento já não é elevado pelo que eles rapidamente, e passados 10 minutos, alcançam-nos. Seguimos juntos. Os pés da rapaziada já começam a acusar as horas que levamos em cima deles, mas continuamos firmes na decisão de acabar a prova.
Já estamos de volta a Ponferrada, o que, vai dando ânimo à rapaziada. Do Hélder Baptista e do Miguel Cruz, já nada sabemos, a não ser que vão à nossa frente, já com alguns minutos de distância. Do grupo que também vai à nossa frente (Rui Ramalho, Pedro Neves e José Farinha) nada sabemos, mas pensamos que vão bem. Só quando chegamos a Ponferrada é que sabemos que o José Farinha tinha desistido e ficado no abastecimento anterior.
Depois de fazermos uma descida chegamos novamente a um povoado do qual não me recordo o nome, onde está o abastecimento dos 78 km e onde há possibilidade de trocar de roupa ou de ténis, ou mesmo abastecer de comida. Era o 2.º ponto que a organização disponibilizara para os atletas enviarem um saco com os seus pertences. Estamos com 12h15m de prova.
Surpresa!!, o meu saco não estava no abastecimento. Tinha ido parar ao abastecimento dos 37 km. Depois de algum tempo a procurar constatei o óbvio. Não estava!!. Não há que esmorecer. Seguimos, mais um controlo. Ainda vamos ter que fazer umas subidas, mas já nenhuma de grande registo e chegamos a “Santalla Del Bierzo”. Mais um abastecimento. Aqui mais ou menos composto. Até coca-cola havia e mais uns grelhados esquisitos que esta rapaziada espanhola come. Não nos atrevemos muito nos petiscos deles mas mesmo assim lá vamos “picando” numa ou outra coisa que eles nos dão. Já falta pouco. Estamos no quilómetro 89 e com 14h06m de prova. Agora já estamos no caminho inverso e comum ao do início da prova.
Depois de uma subida e consequente descida chegamos a “Villalibre de la Jurisdicción”, onde e mais uma vez havia um abastecimento extra-organização. Como umas bolachas recheadas com chocolate que me é oferecido por uma “guapa”. Agradeço e “toca a andar” que já falta pouco. No abastecimento oficial logo um bocado mais à frente havia o aquiarius a água e laranja. Eu e o Manuel Pereira empanturramo-nos em laranja. O Manel não se queria vir embora, as laranjas eram mesmo boas e estavam a saber muito bem!! J. Estamos com 94 km e 15h 11m. Aqui e como já vamos junto a um rio a temperatura cai bastante. Na saída deste abastecimento senti frio. Fui à mochila e tirei a camisola de 1.ª camada. Estou mais confortável para acabar o resto dos km que nos faltam. Lá prosseguimos. Os pés já há muito que vêm a avisar que não estão bem, mas já falta pouco!!. Curiosamente doem menos quando corro do que quando estou a andar.
O Eduardo Rodrigues e o Paulo Rato, nesta altura da corrida arribaram e muito, ao ponto de irem à frente a “abrir caminho” e esperarem por nós para finalizarmos a prova. Mesmo assim, nesta última parte do percurso somos passados por alguns atletas. Só que estes atletas não correm, tem um bom ritmo a andar, mas já não conseguem correr. Nós pelo contrário ainda conseguimos correr.
Há já algum tempo que avistamos Ponferrada. A entrada na cidade é feita por outro lado que não aquele por onde tínhamos saído de manhã. Junto ao rio Sil, num parque da cidade bastante cuidado. Pena ser de noite, não dá para apreciar muito. Vamos passando alguns atletas que nos tinham passado e que como disse não conseguem correr. Está à vista a meta, conseguimos trotar. Mais atletas passados antes da meta. Quando estamos a chegar ao pavilhão onde está instalada a meta, avistamos cerca de 8 atletas espanhóis e com o nosso incentivo conseguimos que eles trotassem e acabamos a prova todos juntos. Passados 18h.11min, eu, o Manuel Pereira, o Pedro Rato e o Eduardo Rodrigues, finalizávamos a prova de 101 Km Peregrinos (na verdade foram 105 kms).
Parabéns aos atletas do Clube Millenniumbcp por mais uma prova superada!!
Uma palavra ao José Farinha. Não é fácil tomar uma decisão de abandonar uma prova, muito menos a 20 km de a finalizar. Sei o que estou a dizer pois já desisti em 2 provas de Trail. No entanto, há que continuar a treinar e a acreditar que se consegue e tu tens esse espírito. Portanto ÂNIMO E FORÇA!!.
Classificação
71 – Hélder Baptista – 17h.05m;
72 – Miguel Cruz – 17h.05m;
79 – Pedro Neves – 17h.17m;
80 – Rui Ramalho – 17h.17m;
97 – Manuel Pereira – 18h.11m;
98 – Paulo Rato – 18h.11m;
99 – Eduardo Rodrigues – 18h.11m;
100 – Jorge Lanzinha – 18h. 11m.
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